segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

PERFUME NO AR

Rio, 07/06/2003.

Quando chegaremos a um consenso?

Por que sempre ficamos claudicantes?

Deixamos nosso caminho apenso

Na janela para olhos dos caminhantes

Arquivamos nas vagas da esperança

Tabelas dos desejos da nossa alma

Pontilhamos metas para seguirmos

E depois mostramos uma página branca

Para proferirmos um discurso da herança

Da humanidade que viveu no século de luz

Mas que dos meus olhos (forte) arranca

As lágrimas por ver tanta morte na lembrança.

A história nos abre uma janela ampla

Para que venhamos a corrigir erros,

Mas quanto mais doutos ficamos

Mergulhamos num mar de malícia

Vestimos um manto de apedeutismo

E nos doutrinamos no solipsismo

Tomando vigorosos copos de estultícia.

O poder sem escrúpulos se busca,

Como água, sedentos estão a beber

O ouro é negro para se vender

O preço é verde que não dá no chão

O poder é grande de quem tem na mão

E isto tudo causa grande infração

E a justiça que é cega não vê

E manda prender um quilo de feijão

Da fome não encontra o porquê

E as crianças comem como bicho

Vivendo e catando restos no lixo

Onde está o futuro desta nação?

O solo é seco que dá até dó

O povo forte tal qual pedra de mó

A ajuda é do poder e dele só

E vem aí mais uma eleição!

E outra vez vende-se a solução

O ser é perfeito mostra a televisão

O homem que para tudo dá jeito

O marido, o pai e filho exemplar

E nos palanques anda a prometer

Tempos melhores para o povo viver

E tudo só porque tem sede de poder!

Mas isto se findará estou bem certo

Quando no arquivo do coração

Buscarmos as promessas então

E num revés damos o voto secreto.

A senhora que é cega dos olhos

Será que é surda dos ouvidos

E também muda da boca

E não tem os outros sentidos?

E pelo olfato não percebe o fedor

Do excremento que os perfeitos

Fizeram pelo chão dos palácios?

Mas os colarinhos são brancos

E a sujeira está muito preta

E estão colocando na gaveta,

Até a poeira do caminho abaixar,

A CPI que investiga a fuga do lar

Dos maridos de colarinhos verdes

Que gostam muito de laranjas

E sentam nos bancos (não da praça)

E que acham até muita graça

Das perguntas feitas pela senhora

Das contas descobertas lá fora.

Por que não se usa a equidade

E se arranca da senhora a venda

Para que veja toda a verdade

E os pérfidos na cadeia prenda?

Ainda há muita esperança

Ainda há muita criança

Ainda há muitos amados filhos

Ainda há os que andam nos trilhos

Ainda há homens, milhares de mil,

Que buscam o bem deste Brasil!

SEDNAN

sábado, 29 de agosto de 2009

PALHAÇOS


Rio, 23/10/2007.

Há um quando ouve se regala

É o que se apresenta no picadeiro.

É um palhaço! Toda boca fala

E tira de mim um rir verdadeiro.


Mas há outros palhaços, e são palhaços,

Que se ofendem se os chamam assim.

Estão em um circo armado com aços,

Esculpido de concreto e cercado de capim.


O primeiro alegra adultos e crianças,

É um trabalhador que vive do riso.

O segundo põe de luto até as esperanças


E uma bola vermelha no nosso nariz.

É um ser quase que tão puro, e preciso,

Nas suas verdades. Mancha infeliz!

SEDNAN

...NINGUÉM ME TIRA


Rio, 02/07/2007.

Agarram-se com unhas e dentes

Têm belas mascaras de inocentes

Parecem terem todos os rabos presos

Que são filhos? Deixam-nos surpresos!


As provas agora são verdadeiras!

Por que as outras eram firulas?

Estão agarrados as mamadeiras.

Inocentes? Querem que engulas...


Parece-me que estão cheios seus odres

E que juntos pisaram deliciosas uvas,

Fizeram vinho e o deglutiram sem luvas.


Parece-me que todos têm seus podres!

Que são puros devedores, não desprezes,

Beberam o vinho, agora comam as fezes!

SEDNAN

O VERME


Rio, 01/05/2006.

Não estão na cívica canção

E vivem em absoluto regalo

São bastardos desprovidos de coração,

Do ninho de partidos, filhos de galo.


Suas intenções são espúrias

São como sepulcros caiados

Como vermes em podres luxúrias

Ou em palcos com discursos ensaiados.


Salve lindo Pendão da Esperança!

Fala a canção, o filho e cada criança,

Com amor pátrio e paz verdadeira.


Mas um vil filho da prostituição

Que raciocina com a barriga, um glutão,

Mancha, beijo de Judas, a nossa bandeira!

SEDNAN

domingo, 23 de agosto de 2009

QUE MERA


Rio, 27/02/2006.

Na quimera

A rua cratera

A ferida fera

No ponto espera

Sem a primavera

Parte da esfera

Que faz a era

Que aqui mera

Importância alguma.

No espaço grande lacuna

Sem coisa nenhuma,

Mas que uma a uma

Com outros olhos se vê

Ou se busca um quê

Ou se tem um porquê

E se vive a mercê

Dos falastrões polidos

Que enchem nossos ouvidos

E são todos paridos

E sentem-se ofendidos

Se os chamam de ladrões.

E lembro-me dos anões

E do envio de montões

Daquele metal vil

Quem não ouviu?

E da lei se tirou o til

E muitas brechas pariu

E fez das mentiras fogaças

E até se fizeram muitas graças

E escondidas trapaças

Que faz ter vergonha

Porque o povo sonha

Sem travesseiro e fronha

E zangado ronha

E é iludido

Com paliativo

Do atrevido

E todo vivido,

Em tramas

E nas lamas

Há plano alto.

E se eu falto

Tenho cortado o dia

Sinto amarela azia

E verde a fome me fazia

Por ter a barriga vazia.

Não somos brasileiros?

Não somos plantas deste chão?

Só se valoriza paroleiros

Que não amam esta Nação!...

SEDNAN

QUASE POETIZEI A LUA


Rio, 18 – 19/07/2006.

Flutua nua

No céu a lua

A realidade crua

Que paira na rua.

No céu flutua

Nua a lua

Realidade sua

Está seminua.

Quem vê com olhos

Fala com a boca

Promete aos molhos

Numa canção louca.

É chegado o tempo

E traz todo vento

Idéias e prosopopéias

Propagando panacéias.

O povo olha da rua

Onde paira nua

E ainda flutua

A desejada lua.

E tem hospital

Só pra Fulano de Tal

E federal, estadual, municipal

Tudo feito pra animal.

Eu da rua

Contemplo a lua

Que paira nua

E bela flutua.

Mas a sanguessuga

Burla orçamento

A verdade cria ruga

Por passar tanto tempo.

Está tudo dominado,

Só há falcatrua,

O povo abobalhado

Olhando para a lua.

Boa é a verdade nua,

Mas cobrem-na de sofisma

Será que é cisma?

Mas a cambada continua...

A lua flutua

E paira na rua

A realidade nua

Descascada e crua...

SEDNAN

O CASTELO


Rio, 15/07/2009.


Descoberto castelo nas Gerais

Imponente construção, bela demais.

O dono investigado na comissão de ética...

Ou será que foi pela comissão de estética?


O rei assentado naquele tribunal,

Parecia um jogo marcado afinal...

De todas as acusações saiu ileso,

Pareceu-me ter a comissão o rabo preso.


Aqui corre rio de choque de ordem,

Derrubam casas sem misericórdia...

Será que as dos pobres eles podem?


No País há carência de moradias!

A Lei é para reis e pobres? Há discórdia!...

Quando vão parar essas covardias?


SEDNAN